Para além das barreiras legais que os cogumelos sagrados enfrentam em muitos países, sob uma perspectiva científica, numerosos estudos realizados por instituições internacionais demonstram que o consumo desses cogumelos pode ser muito benéfico para a saúde. Entretanto, é importante salientar que cada organismo reage de maneira singular e que existem muitos fatores que influenciam nos resultados, como por exemplo: condição de saúde do indivíduo, quantidade ingerida, interação medicamentosa, o contexto da experiência e entre muitos outros. Além disso, existem contraindicações como pré-disposição genética para transtornos psicóticos, cardiopatias, gestação e interação medicamentosa.
Sua investigação científica consiste em pesquisas sobre tratamentos e métodos terapêuticos, realizadas por médicos, psicólogos e outros profissionais da área da saúde. Pode-se considerar dois tipos de terapêutica:
- Microdosagem, onde a administração da ingestão é semelhante a um medicamento de uso diário ou com intervalos de alguns dias, e o indivíduo não experimenta efeitos psicodélicos;
- Dosagem um pouco maior (variável de pessoa para pessoa) onde o objetivo é que o indivíduo experimente efeitos psicodélicos em um setting terapêutico adequado acompanhado por um profissional.
As principais áreas de pesquisa são depressão, ansiedade, estresse pós-traumático e casos de dependência de substâncias químicas. Em menor escala, também existem estudos que analisam a viabilidade da Psilocibina como alternativa para tratamentos de outras condições como demências, transtorno bipolar, tdah, transtornos alimentares, autismo, fibromialgia, e inúmeras outras.
Do ponto de vista farmacológico, podem apresentar vantagem em relação aos medicamentos disponíveis atualmente quando se trata de efeitos colaterais adversos indesejados. A posologia reduzida (menos frequente) em relação a outros fármacos tradicionais, também pode ser considerada uma vantagem. Além disso, por ser uma fonte natural, oferece mais autonomia aos pacientes, diante da possibilidade de cultivar a própria medicina.

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Se pararmos para pensar, cogumelos são um dos primeiros gêneros de seres vivos nosso planeta e estiveram presentes em várias civilizações. Para povos de tempos pré-colombianos (Astecas), os cogumelos foram utilizados como fonte enteogênica e como medicina para tratar mais de 40 sintomas e doenças.
De uma perspectiva biomédica clássica, todos esses mecanismos são geralmente considerados inespecíficos, enquanto de uma perspectiva interdisciplinar, eles podem ser visualizados e especificados, permitindo-nos compreender melhor como operam e contribuir para futuras aplicações clínicas. (Apud, 2017).
Conduzir e avaliar pesquisas com psicodélicos exige grande responsabilidade ética. Na intenção de superar os desafios supracitados vem a ser fundamental manter relações baseadas no respeito mútuo e na reciprocidade para com as comunidades tradicionais, de maneira a assegurar que elas sejam coautoras das publicações científicas e cobeneficiárias tanto das práticas compartilhadas quanto das láureas do reconhecimento internacional, constituir uma abordagem respeitosa dos contextos naturais e culturais que originaram a ciência psicodélica, além de evitar a folclorização, estandardização e apropriação dos saberes ancestrais pela mentalidade colonialista (Freitas, Shanenawa e Maia, 2025).
Essa publicação é de cunho informativo, não fazemos apologia à drogas. Apesar de ser uma alternativa promissora, a terapêutica com psicodélicos não pode ser feita por conta própria de forma aleatória, e infelizmente ainda carece segurança científica e jurídica.
Referências
- O Uso Assistido de Psicodélicos em Contexto Terapêutico: Uma Revisão de Escopo das Evidências no Tratamento de Transtornos Mentais - Nicole Dias, 2025.
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Enteogenia e Psicodelia: as Filosofias da Ancestralidade nas Revoluções Científicas - Jan Clefferson Costa de FREITAS, Cacique-Pajé Maná Shanenawa ou Markone Brandão da Silva SHANENAWA, Nathália Cristina Medeiros MAIA. 2025.
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Ayahuasca en el tratamiento de adicciones. Estudio de cuatro casos tratados en IDEAA, desde una perspectiva interdisciplinaria - Ismael Apud, 2017.
- Los hongos en la cultura mexicana: bebida y alimentos tradicionales fermentados, hongos alucinógenos. - Teófilo Herrera
- Hallucinogenic, medicinal and edible mushrooms in México and Guatemala: traditions, myths and knowledge - Gastón Guzmán
- La psilocibina: perspectiva histórica y farmacológica y investigaciones actuales autorizadas. - David Serrano Hurtado.
